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Autor: Carlos Alberto - Data: 08/01/2018 21:39

"Nocauteada", Casa da Criança devolve 120 menores ao Município

Entidade demitiu dez funcionários, os quais atuavam no setor de contra-turno, cuidando para que crianças e adolescentes carentes permanecessem fora do alcance da criminalidade
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A Casa da Criança de Guaxupé encerrará o atendimento aos cento e vinte assistidos do setor de contraturno. A notícia foi transmitida nesta noite de segunda-feira, 8 de janeiro, pela direção da entidade, que alegou já não ter mais condições financeiras de manter o projeto. Prejudicada pela eventual falta de apoio por parte da Prefeitura, a instituição devolverá ao Município a responsabilidade de cuidar da formação social dos agora ex-alunos. Com cinquenta e três anos, o local protagoniza a mais nova crise do terceiro setor guaxupeano, pouco depois que a Casa do Caminho foi fechada e a Apae também apresenta sinais de impotência para atuar.

O fim das atividades do contraturno foi informado pelo presidente da Casa da Criança, Florindo Elizeu Smargiassi, o qual se fez acompanhar por dirigentes e funcionários numa entrevista coletiva, dada nesta noite, à imprensa, na sede. Visivelmente abatidos, os colaboradores atribuíram a decisão à falta de recursos e as poucas tratativas junto ao governo municipal: “Nossa subvenção para 2018 será de R$ 400 mil/ano à área de acolhimento (Casa Transitória), quando precisaríamos de R$ 690 mil! Não estamos fechando a Casa da Criança, pois este projeto continuará! O que paralisaremos será o contraturno, pois teríamos que disputar, em 2018, R$ 245 mil/ano com o CEAS e o Horto Florestal, onde também não haverá mais atividades”, explicou Florindo.

De acordo com a direção da Casa, a implantação do Marco Regulatório (lei federal, onde os municípios passam a comprar os serviços das entidades), em Guaxupé, encontra-se atrasado, sendo que as instituições são obrigadas a se manter até que todo o processo seja concretizado. Este, além da falta de dinheiro, seria um dos problemas que resultaram no fim do serviço de contraturno. “O Marco Regulatória seria muito bom, caso funcionasse, pois as entidades precisam se manter até março, o que geraria, em média, uma despesa de R$ 150 mil, até que o poder público libere os recursos! E isto é impossível! A população de Guaxupé, se analisar, verá que atender cerca de cento e cinquenta crianças com R$ 245 mil/ano é um desrespeito às instituições, que fazem o melhor por seus assistidos! Em 2017, neste setor, gastamos R$ 360 mil! Agora, o Município terá que fazer o que nos pede, pois se ele entende ser possível, que nos mostre”, desafiou Florindo.

Admirado pela sociedade em função da importância na formação de seu público-alvo, o setor de contraturno da Casa da Criança é composto por auxílio/reforço escolar, canto coral, pintura, hip-hop, teatro, capoeira, esportes gerais, entre outros. Mais do que isto, as crianças obtêm alimentação adequada e apoios médico, odontológico, psicológico e social. “E não é segredo para ninguém que muitas de nossas crianças veem na Casa uma saída até para a falta de comida! Basta ver como fica o local no período de férias escolares!”, lamentou a diretora Cleide Aparecida Teixeira, que chegou às lágrimas durante a coletiva. “Em dez anos de voluntariado na Casa da Criança, com certeza, hoje é um dos piores dias de minha vida! Aqui, para quem não sabe, tudo começou com o projeto do Dom Inácio e, hoje, lamentavelmente, vemos um trabalho pela sua beatificação e, por outro lado, a paralisação de um projeto que ele tinha como ‘a menina de seus olhos’”, lembrou o diretor financeiro, Vicente Silvério Marques.

Em meio à dor pela suspensão das atividades do contraturno, o presidente Florindo mostrou-se indignado com o Município: “Faltou sim um pouco mais de vontade e não foi de nossa parte, pois estivemos na Câmara Municipal, onde os vereadores foram não levaram nossos pedidos à frente! Tentamos por um ano junto à Secretaria Social da Prefeitura e... nada! Nosso trabalho é sério, a cidade vive um momento difícil com menores infratores e ninguém mais do que nós sabemos da importância da Casa da Criança! Porém, não temos mais condições de ficar todo este tempo mendigando recursos, não sendo levados a sério, indo aos bancos fazer empréstimos, buscando doações junto à comunidade e, ao final, ver que todas as tentativas estão sendo frustradas”, desabafou o presidente, que pertence ainda à direção do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. “Sei que Guaxupé tem uma administração séria e, por isto, estamos entregando nossos cento e vinte alunos ao Município. Serei, podem ter a certeza, o mais ferrenho cobrador para que as crianças tenham, da Prefeitura, o tratamento que damos a eles aqui”, concluiu Florindo, que anunciou, por conta da decisão, a demissão de dez funcionários que atuavam no contraturno.

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