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Autor: Carlos Alberto - Data: 15/10/2018 11:06

Poder público municipal e catadores divergem sobre atividade reciclável no "Lixão" de Guaxupé

Reunião, ocorrida no Teatro Municipal, expôs vários pontos de vista diferentes sobre o trabalho dos agentes ambientais, a legislação e o que acontecerá
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Representantes da Prefeitura de Guaxupé, Câmara Municipal, Polícia Militar do Meio Ambiente, líderes comunitários e catadores de materiais recicláveis participaram de uma reunião no Teatro Arlete Souza Mendes, há poucos dias, a fim de se entenderem quanto à adequação das atividades que os autônomos realizam no aterro controlado. Pressionada pela legislação, que impede a permanência clandestina em “lixões”, a municipalidade apresentou proposta de implantar uma associação para atender às normas legais. Porém, os agentes ambientais manifestaram-se contrários às medidas, sob a alegação de que atuando independentemente de uma eventual cooperativa, eles têm rendimentos bem maiores. Mais do que isto, demonstram visível desconfiança, sob a alegação de que já lhes foram feitas várias promessas, mas nenhuma delas foi cumprida até então.

A reunião, proposta pelo Município, reuniu membros das secretarias de Meio Ambiente, do setor de Obras, Segurança Pública e Desenvolvimento Social. Cada qual dentro de sua atribuição, os dirigentes das referidas pastas enfatizaram a necessidade de adequação à Política Nacional de Resíduos Sólidos. Para tanto, divulgaram o objetivo de construir uma associação, em parceria com a Constroeste (responsável pela limpeza pública), cuja estrutura ficará no mesmo local onde funciona hoje, ainda em regime precário, o Aterro Municipal, na rodovia entre Guaxupé e Tapiratiba. “Será uma obra de 1.086m², com orçamento médio de R$ 1.300.000,00 e que ficará pronta em cinco meses, após seu início. O projeto já está encaminhando e será bom para todos”, garantiu o secretário de Obras, Eliton Israel Pereira, que apresentou maquete eletrônica do projeto.

Apesar de concordarem, em partes, que a estruturação da usina oferecida vai melhorar as condições de trabalho, os catadores mostram-se desconfiados a todo momento: “Não queremos nos misturar com a associação deles não! Hoje, no ‘Lixão’, somos em vinte e cinco pessoas, cada uma com rendimento médio de R$ 2 mil. Faz vinte anos que estou lá e sei que se nos tirarem o acesso a todo o material de lá, nos tirarão o ‘pão de cada dia’. Com essa triagem que eles farão anteriormente, a gente ficará só com o resto e isto não dará nada. Já conhecemos o funcionamento da Associação Vida Nova e sabemos que não dá certo”, complementou Luiz Aparecido, o “Alemão”, que informalmente lidera os catadores durante o trabalho no “Lixão”. Dona Maria, por exemplo, já teve experiência amarga na Vida Nova: “Saí para catar reciclável no ‘Lixão’ por necessidade, pois meu marido abandonou a mim e duas filhas pequenas. Com luz cortada, falta de comida e já desesperançada, parti para lá e, desde então, tenho conseguido sustentar minha família. Essa história de ‘usina’ eu já conheço e não gosto nada dela! Se o prefeito quiser nos tirar do ‘Lixão’, terá que nos dar uma renda, pois ninguém está disposto a passar falta das coisas de novo não”, manifestou-se ela.

 

UM OLHAR DE FORA...

Além das partes diretamente envolvidas (que são a Prefeitura e os catadores), a reunião contou com as participações de pessoas com ou sem experiência na área da reciclagem ambiental. Entre eles, vários pontos de vista distintos foram apresentados, como o pastor evangélico Eduardo Oliveira, convidado pelos autônomos para auxiliá-los: “O que eles e, para falar a verdade, muita gente, não está conseguindo vislumbrar, é a falta de uma política social adequada, que de fato abrace a causa destas pessoas”, manifestou o dirigente espiritual. “Pelo que vi, está havendo uma divergência no sentido de que, para os catadores, não dá para montar uma associação sem a matéria-prima, que está no ‘Lixão’. Já a Prefeitura aponta que os mecanismos existem, sendo que só está faltando uma sintonia entre as partes”, enfatizou o cabo Ferreira, da Polícia Militar Ambiental. “É muito complexo, pois ninguém quer burlar as leis. Só que tratam-se, também, de dezenas de pessoas, que têm outras dezenas atrás delas, para sustentar. Enquanto a usina não fica pronta, eles estão preocupados porque sabem que fora daquele ambiente a rentabilidade não chega a ¼ do que ganham hoje”, manifestou-se o vereador Francis Osmar da Silva. “Eu era da Associação Vida Nova e tive um acidente de trabalho, mas ninguém me amparou. Então, por que vou acreditar que esta dará certo?”, indagou a recicladora Neuza Martins. “Eu sou de Guaxupé, mas há anos trabalho numa associação, em Poços de Caldas, onde antes tudo era só desconfiança também. Mas, hoje, após tudo estruturado, ninguém quer outra vida. Se a Prefeitura daqui quiser, pode levar o pessoal lá para conhecer e ver que o cooperativismo dá certo sim”, disse Antônio, da direção da associação de catadores pocenses. “A gente entende que estejam preocupados, mas estamos fazendo tudo isto para que eles mesmo sejam beneficiados. A licitação já está acontecendo!”, finalizou o secretário municipal de Meio Ambiente, Renato Carlos de Gouvêa.

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