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Autor: Carlos Alberto - Data: 26/06/2017 21:20

Equipe do Rancho Alegre teria sido "sacrificada" por arbitragem e organização de campeonato promovido pela Prefeitura

O América, representado por atletas da periferia, foi eliminado supostamente por decisão da Divisão de Esportes, sem análise de provas apresentadas pela defesa
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O Unidos da Vila/América, formado por jogadores do Jardim Rancho Alegre e Santa Cruz, em Guaxupé, está eliminado do Campeonato Municipal de Futebol de Campo, categoria amadora, promovido pela Divisão de Esportes da Prefeitura. A exclusão, determinada pela comissão disciplinar da competição e a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo, foi consequência de um relatório da arbitragem, de que o time em questão não atendeu em tempo hábil às exigências para troca de uniforme, na partida que realizaria no último dia 11, no “Campo do Mogiana”, contra a Assoxupé. Contudo, o fato revoltou ao vereador Francis Osmar da Silva, que é técnico do time punido e tem provas contrárias às alegações dos árbitros. Na opinião dele e seus jogadores, os membros da Cooarbitros usaram de má fé, uma vez que, na verdade, não realizaram o confronto por falta de segurança, tendo usado um eventual conflito entre as cores dos dois jogos de camisas para prejudicar o time do “Rancho”, que era o mandante do confronto.

A equipe foi julgada nesta quarta, dia 21, em audiência com os membros da Comissão Disciplinar, Danilo e José Luiz, além do secretário de Esportes, Marcos Buléd (também o capitão PM reformado, Márcio Teófilo Nunes, hoje no quadro pessoal da Prefeitura, esteve presente). Na ocasião, o grupo julgou procedente o relatório do árbitro Jean W., o qual declarou que o “América” extrapolou o tempo de quinze minutos, concedido para a busca de outro uniforme, com cores distintas. No conteúdo, porém, o juiz relatou, antes de tudo, o clima de insegurança no estádio, tendo inclusive a Polícia Militar sido chamada, mas como as autoridades não poderiam permanecer no local, a arbitragem direcionou a impossibilidade de se realizar a partida às cores dos jogos de camisa (embora o América tenha se apresentado de camisa branca, com detalhes pretos nas mangas, calções brancos, com listras pretas e meias pretas; já a Assoxupé jogaria de camisa listrada em branco e azul, com shorts azuis e detalhes brancos e meiões brancos.

Com a decisão, o América está desclassificado: “Eu, até agora, não recebi a notícia, mas ouvindo de pessoas, fico entristecido, pois foi ceifada uma oportunidade de minha equipe disputar as semifinais de um campeonato tão grande de nossa cidade. Tudo o que tínhamos de provar à comissão do evento, de que minha equipe estava certa, foi descartado. Aliás, teve julgamento e nenhum representante das equipes envolvidas participou, pois foi-me falado um horário, eu vim, mas já tinha acontecido”, reclamou Francis. Buléd, por sua vez, respondeu: “Se você pegar o regulamento da competição, diz que os julgamentos são às quartas-feiras, às 13h, na Rua Horário Ferreira Lopes, Ginásio Poliesportivo, horário de funcionamento até às 17 horas. Mas, isto é indiferente, pois houve um julgamento da Comissão Disciplinar, composta pelos membros do Conselho Municipal de Esportes, houve a análise da súmula, uma interposição de recurso da equipe, em prazo hábil e foi feita uma análise. O que a Comissão Disciplinar relatou, não tenho muito a que questionar, pois a Comissão Disciplinar, que é composta por Danilo e José Luiz, além da presença do capitão Márcio. Eles julgaram a súmula, o que estava e o recurso impetrado. Enfim, o recurso é este que a Comissão Disciplinar passou”.

 

SECRETÁRIO DEU VEREDITO SEM VER UNIFORMES...

Indagado sobre o fato de que a Comissão Disciplinar afirmou, em conversa informal, não ter dado o veredito com relação aos uniformes, Marquinhos admitiu ter sido ele o responsável pelo voto final, sobre os jogos de camisa, apesar de que ele não chegou a ver as cores antes de opinar: “Eu não vi os uniformes e volto a dizer: a Comissão Disciplinar julga procedimentos de punição de atleta. A interposição de recursos é imposta e passa à Comissão Disciplinar. Eles analisaram e deram um veredito à comissão organizadora, que acatou a posição, que era manter o WO dentro dos artigos propostos, que é o que está no regulamento. Não há, nenhuma dúvida quanto a isto, no meu entendimento.

 

E, em relação à confusão da arbitragem, que não soube esclarecer se a partida não aconteceu por conta dos uniformes ou a falta de segurança, Buléd repetiu: “Volto a dizer: O que prevalece e o que vale é o que está escrito na súmula. Na súmula, o primeiro parágrafo é quanto a tempo de troca de uniforme, por parte da equipe mandante, e a hora do fechamento da súmula. Volto a dizer: a Comissão Disciplinar analisou a súmula e o que ela oferece à comissão organizadora é que leram a súmula, o recurso colocado pelo América e julgaram que o que está escrito na súmula é pertinente ao wo e assim foi decidido e acatado pela comissão organizadora”, finalizou Buléd.

 

RANCHO ALEGRE NÃO TEM VEZ?

Também entre os atletas, o clima é de decepção: “O que aconteceu foi que, no primeiro momento, eles falaram que não iam apitar, pois não havia segurança e estavam com medo de trabalhar. Aliás, todos os jogos têm sido assim, com polícia e segurança... forçando a gente. A verdade é que eles querem nos tirar do campeonato desde o primeiro jogo, pois foram lá no Departamento de Esportes dizer que estávamos ameaçando nas redes sociais, coisa que não aconteceu. Nosso treinador, o Francis, teve que ir conversar com o major da polícia e, realmente, aqui no jogo, todo mundo concordou sobre os uniformes e, na verdade, não quiseram apitar por falta de segurança mesmo. Não é porque somos do Rancho Alegre que temos de ser humilhados. O Francis, que é vereador, não ia colocar a ‘cara dele’ e sua carreira se nosso time não fosse disciplinado”, contestou o atleta Welington Inácio dos Reis.

 

FRANCIS E SEU TRABALHO SOCIAL

Revoltado, Francis prevê empecilhos para a realização de um trabalho socioesportivo que desenvolve com as periferias: “Aí, fica difícil de fazer um trabalho social para você, do ‘Rancho’, da Santa Cruz, Parque I e II, pois no momento em que estávamos com uma boa equipe, sem brigas, fazendo um trabalho bacana, me acontece isto? Então, quer dizer que, por falta de segurança, que é dever da organização do campeonato, a gente foi eliminado da competição. Isto, porque até então foi dito que fomos eliminados por conta de uniforme. Mentira, mentira! Uniforme foi o de menos! Fomos eliminados por falta de policiamento, de segurança, que era responsabilidade dos organizadores do evento. Aí, eles vem com esta de uniforme e não nos dão oportunidade para defender? Eu não participei do julgamento, nem meu advogado, pois se fosse para ser um negócio sério, o julgamento deveria ter sido na semana passada! Agora, já foram realizadas as rodadas... volto a frisar: a gente vem tentando fazer um trabalho de conscientização, pois o esporte é o fator transformador na vida das pessoas. Eu sou prova viva disto! Se não fosse o esporte e a cultura em minha vida, o que seria de mim? E estas pessoas precisam desta oportunidade, sendo que fica aqui o meu apelo para acontecer o que aconteceu!”, desabafou o vereador e treinador Francis.

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