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Autor: Carlos Alberto - Data: 30/10/2017 10:00

Deputados e produtores debatem crise do setor leiteiro na ALMG

Minas Gerais é a principal bacia leiteira do país e a falta de incentivos tem levado produtores a desistirem do setor
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A Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Antonio Carlos Arantes (PSDB), realizou, nesta quinta-feira (26/10/17), audiência pública para debater os principais problemas da cadeia produtiva do leite em Minas Gerais e no Brasil. O auditório José Alencar Gomes da Silva, que atingiu a sua capacidade máxima de lotação, recebeu desde produtores rurais a representantes políticos e de instituições renomadas do setor. A reunião contou, ainda, com a presença do deputado federal do Espírito Santo, Evair Vieira de Melo (PV), e dos deputados estaduais Fabiano Tolentino, João Leite, Cássio Soares, Emidinho Madeira, Luiz Humberto Carneiro, Dalmo Ribeiro, Inácio Franco, Bonifácio Mourão.

Os produtores destacaram que a importação do leite vem criando um ambiente de competitividade desleal no setor. O alto custo da produção, o preço irrisório do leite pago a esses trabalhadores, a energia elétrica cara, a seca e a ameaça de importação de leite do Uruguai, que está suspensa temporariamente foram os pontos principais do debate. Ainda segundo os produtores, faltam incentivos para a exportação e os custos da produção continuam a subir enquanto os preços pagos pelo leite só caem.

Entre os principais problemas destacados pelos presentes estão o aumento nos custos com ração, medicamentos, energia elétrica e combustíveis. Além disso, faltam políticas públicas voltadas para o setor por parte dos governos federal e estadual. Demandas como redução de juros bancários, prorrogação de dívidas, melhoramento genético do rebanho, seguro rural e profissionalização do gerenciamento da propriedade rural são antigas, mas permanecem na pauta dos produtores.

Segundo Antonio Carlos, a audiência dá sequência a ações pelo Brasil contra essa crise vivenciada pelo setor. “É um produto de primeira necessidade que não pode chegar caro à mesa do brasileiro. Mas, o produtor não pode pagar essa conta, que é o que está ocorrendo. Precisamos de políticas para fazer frente a isso”, reforçou.

Para o deputado, a situação é ainda mais grave para Minas Gerais. “Minas está sendo prejudicada pelas importações do leite da mesma forma que o resto do país. A diferença é que nenhum outro estado depende tanto da economia leiteira quanto Minas. A suspensão temporária da importação, principalmente do Uruguai, acontece para que seja feito um estudo e esse estudo precisa ser feito de forma séria para que fique claro os impactos de qualidade e para a economia dessa importação. Minas não está parada e vai seguir pressionando. Produzimos leite de qualidade que merece estímulos e respeito para ter competitividade”, reforçou.

O deputado federal Evair Vieira de Melo, que é membro da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, afirmou que é preciso construir umaagenda nacional em prol do setor. “Nenhuma política agrícola de sucesso pode ser elaborada sem Minas Gerais. Precisamos do Estado pela sua representatividade”, acrescentou. O parlamentar também pediu a união dos trabalhadores para reforçar o movimento que já vem ocorrendo no País.

Ao final da audiência, ficou decidido, por meio de requerimentos, que as políticas públicas voltadas para a produção de leite devem ser revistas com o intuito de fornecer mais assistência e valorizar o trabalho dos pequenos produtores. Entre as principais providências a serem tomadas estão a exclusão do leite da lista de produtos com livre comércio entre países do Mercosul; fixação de cotas na implantação do leite entre países do Mercosul; a investigação, junto à Organização Mundial do Comércio, da venda ilegal de leite ao Brasil e a revisão de políticas de compras públicas internacionais do leite.

Essas medidas pretendem restringir a importação do leite para o território brasileiro, que ocupa a quinta posição do ranking mundial de produção leiteira. A prática tem prejudicado a atividade local que não consegue competir com o preço imposto pelo mercado, o que resulta no abandono da profissão pelos produtores que não conseguem se manter com os altos custos da produção.

 

Participantes apresentam sugestões à Comissão

 

De acordo com o produtor de Passos (Sul de Minas), Mauricio Silveira Coelho, integrante da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), a situação vivida no setor é muito grave. “Ninguém consegue se manter com o preço do produto abaixo do custo da produção. Todos nós estamos no vermelho. Não dá para ficar assim por muito tempo. Precisamos de uma política estruturante”, afirmou.

O presidente da Comissão Técnica de Pecuária da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo de Carvalho Pena, também destacou a necessidade de ações direcionadas para o setor, sobretudo, tendo em vista que Minas é o principal estado produtor de leite no Brasil, responsável por 30% da produção.

Segundo o presidente da Federação de Cooperativas Agropecuárias de Leite em Minas Gerais - Patos de Minas (Alto Paranaíba), Vasco Praça Filho, a cadeia do leite é a maior geradora de trabalho no Brasil. “Só não sabíamos da nossa força. Vamos continuar esse processo de unir sindicatos, cooperativas e prefeitos”, convocou.

O presidente do Sindicato Rural de Passos, Darlan Esper Kallas, entregou ao deputado Antonio Carlos Arantes documento elaborado em conjunto com produtores de outras cidades com propostas para o setor. Uma das sugestões é a instalação de uma comissão composta por deputados para identificar oportunidades e desafios dessa cadeia.

A assessora da Diretoria do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg), Isabela Chenna Perez, comentou que o setor almeja linhas de crédito diferenciadas e competitividade. “O Brasil só não está pior por causa do agronegócio. O produtor rural vem se reinventando. Demite gente, reformula seus gastos e faz o que for preciso para simplesmente continuar trabalhando. E o governo? Quando vai começar a se reinventar, criar, pensar nesse produtor que movimenta a economia do estado? Quando o governo vai agir em prol dos produtores de leite?”, questionou Isabela.

Já o assessor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Guilherme Rabelo, avaliou que não se avança na cadeia produtiva só com acesso ao crédito. “Precisa haver assistência técnica. Senão, o produtor só vai se endividar”, ponderou.

O vice-presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais, José Antônio Bernardes, falou que as empresas também passam por dificuldades atualmente. “Essas crises de leite são sistêmicas. Precisamos organizar a cadeia como um todo”, salientou.

O Brasil está na 5ª posição no ranking mundial de produção leiteira. Minas Gerais é a principal bacia leiteira do país, respondendo por 27,5% do total produzido no Brasil. A presença de 233 mil fazendas leiteiras e mais de 1.000 indústrias de laticínios garantem ao Estado a 12ª colocação no ranking mundial da produção leiteira. “O Estado deveria valorizar o produtor em função da grande contribuição que ele dá para a economia mineira e brasileira. Os produtores merecem mais respeito”, afirmou Arantes.

 

 

 

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