Autor: Carlos Alberto - Data: 18/09/2026 09:46
ATENÇÃO: Campanha de ajuda para criança doente em Guaxupé não passa de golpe
Uma campanha de solidariedade divulgada recentemente em Guaxupé, no Sudoeste mineiro, envolvendo criança seis anos diagnosticada, segundo a mãe, com fibrose cística (com pedido de ajuda financeira), chama a atenção por apresentar elementos praticamente idênticos aos de outras publicadas anteriormente em diferentes regiões do Brasil. A história envolve Patrícia, de 6 anos, e sua mãe, Melissa, mas nem o poder público municipal confirma a situação narrada pela eventual genitora. Segundo relato de veículo de comunicação local divulgado nesta quinta-feira, 17 de setembro, a mãe teria deixado o trabalho para cuidar da filha, o pai abandonado-as após o diagnóstico, o governo bloqueado o Bolsa-Família e a criança necessitaria do medicamento Trikafta. A publicação informa ainda que seriam necessárias duas caixas do medicamento, com valor estimado de R$ 260 mil, e apresenta uma chave Pix para doações. - CONTINUE A leitura após a publicidade.
O JORNAL JOGO SÉRIO pesquisou a história e encontrou uma publicação anterior, de 28 de agosto, no município de Porto União, em Santa Catarina, apresentando uma narrativa extremamente semelhante. Nela, também aparecem uma menina chamada Patrícia, de 6 anos, a mãe Melissa, outro filho de 8 anos, o abandono do trabalho pela mãe, o suposto bloqueio do Bolsa Família em julho, a necessidade do Trikafta e a estimativa de R$ 260 mil para duas caixas do medicamento. Há, porém, uma diferença importante: na campanha divulgada em Porto União, a chave Pix apresentada era 41 98499-2806, enquanto na publicação de Guaxupé aparece a chave 37 99807-9324.
A investigação encontrou ainda outro caso, publicado em julho deste ano, envolvendo Lorena, de 4 anos, e seu pai, Edmilson Rodrigues. A narrativa novamente apresenta elementos muito semelhantes (além da mesma foto): criança com fibrose cística, familiar que abandona o trabalho para cuidar da filha, outro filho pequeno, benefício do Bolsa Família bloqueado, necessidade do Trikafta, duas caixas estimadas em R$ 260 mil e uma ação judicial para tentar obter o medicamento pelo SUS. Ainda conforme as apurações do JOGO SÉRIO, a mesma história foi contada em épocas e regiões diferentes: Guaxupé, em 17 de setembro deste ano; em Porto União, no dia 28 de agosto último; em Camaçari/Capelinha, no mês de julho.
População deve ter cautela: O JOGO SÉRIO ressalta que as semelhanças encontradas não permitem afirmar que a família de Guaxupé esteja praticando uma fraude. Também não significa que toda campanha de solidariedade envolvendo pessoas com fibrose cística seja falsa. O que existe, neste momento, é um conjunto de coincidências muito específicas que merece esclarecimento: nomes semelhantes, mesma idade da criança, mesma doença, mesma situação familiar, abandono do trabalho para cuidar da criança, benefício social bloqueado, alegação de necessidade urgente do Trikafta, valor de aproximadamente R$ 260 mil e busca de doações enquanto se aguarda uma decisão judicial (e o principal: a pessoa que faz a solicitação de ajuda ao determinado veículo de comunicação apaga as mensagens alguns dias após ter se comunicado com o referido órgão de imprensa).
Outro ponto que merece atenção é o preço informado para o medicamento. Dados divulgados em agosto de 2026 pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, citando informações do Ministério da Saúde, apontam que uma caixa de Trikafta no mercado privado custa, em média, cerca de R$ 194,5 mil, e que o tratamento pode alcançar R$ 2,5 milhões por paciente ao ano. O medicamento já é utilizado no SUS para pacientes que atendem aos critérios estabelecidos. Por isso, antes de realizar qualquer transferência de dinheiro, a recomendação é que a população verifique a identidade do beneficiário, procure documentos que comprovem a situação, confirme a existência do eventual processo judicial e, quando possível, faça doações diretamente para instituições ou despesas comprovadas.
O objetivo desta reportagem não é impedir que ninguém pratique solidariedade, mas justamente evitar que a boa fé da população seja eventualmente explorada por pessoas mal-intencionadas. O Jornal JOGO SÉRIO continuará acompanhando o caso e, na eventualidade de surgir documentos ou esclarecimentos que comprovem a situação apresentada pela suposta família de Guaxupé, dará espaço para que essas informações sejam divulgadas. Em casos envolvendo pedidos de dinheiro pela internet, especialmente quando há crianças doentes, a solidariedade é importante, mas a verificação das informações também é uma forma de proteção para quem doa e para quem realmente precisa de ajuda. - AJUDE O jornal que lhe informa a todo instante e faça um PIX de qualquer valor para 11.086.919/0001-66 - CLIQUE AQUI e receba os conteúdos do JOGO SÉRIO em seu whatsapp. - NESSE LINK, você passa a seguir a nova fanpage/facebook Jornal JOGO SÉRIO. - A QUALQUER instante, acesse www.jornaljogoserio.com.br e fique muito bem informado.
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Redação: R. Dr. Joaquim Libânio, nº 532 - Centro - Guaxupé / MG.



